Jul 19

A Administração da Política

Os cidadãos brasileiros estão para viver mais um ano de campanha eletiva para o executivo e o legislativo municipais. A carreira já começou. As propagandas e acordos do toma lá, dá cá, estão sendo costurados. É sórdido o que se houve nas bases e como tudo é tratado. A maioria da população não tem ideia de como a situação é arquitetada. É um jogo de manipulação e fomento de interesses particulares. Na maioria dos casos, não há reta intenção. É cobra engolindo cobra; traições e atos vergonhosos. As amizades não existem, os abraços são desconfiados e promotores dos enganos. A sobrevivência de um, depende da morte do outro. O que estamos a ver em esfera nacional é o que acontece em contextos municipais. Há quem tenha estômago para este meio de vida. Nunca se estar preparado para a paz, mas sim para a guerra. Há um descaso extremo e falta de amor à verdade que estão levando a política a um mais profundo descrédito. A perseguição é a arma mais usada. São notórias as atitudes e intentos para desmoralizar, caluniar, difamar e destruir quem pensa diferente ou denuncia os desmandos e atos espúrios das personalidades políticas.

A política brasileira necessita urgentemente de uma reabilitação. Como temos acompanhado, a população acordou e mostra-se indignada quanto aos tremendos e aviltantes escândalos de corrupção. É horrível! A cada dia mais e mais descobertas, que esperamos sejam feitas em outras instâncias do País. É muito ladrão. Ainda há cidadãos que os defendem, seguindo a lógica de que sempre se roubou. Que pensamento pervertido?! Deste modo, todos são justificados, como os próximos também, pois ladrão que rouba ladrão pode ser perdoado. Falar sobre uma reabilitação da política é tratar sobre uma mudança de mentalidade que precisa envolver a todos. Políticos corruptos são sinais de um povo corrupto. Um povo que não seja manobrado por simples paixões políticas e pessoais, idolatrias ideológicas e fundamentalistas. O processo democrático não sobrevive, nem é autêntico, sem essas reviravoltas. Em ano de campanhas eletivas, podemos ter um diagnóstico muito interessante a respeito da realidade: A compra de votos, a troca de favores, o uso da máquina pública para o próprio usufruto nas eleições, as propagandas demagógicas e fraudulentas pelos meios de comunicação e atos afins. As instituições democráticas, e que ainda são canais das vontades populares, não podem ser omissas, mesmo sabendo que em muitas delas há a contaminação da lógica viciada e pervertida. A forma que determina a corrupção é perversa. Ela não tem senso da verdade e do bem; por isso, necessita ser urgentemente reabilitada.

Por fim, a administração da política passa por uma contínua e perseverante busca de existência da moralidade, transparência, honestidade, bem comum, justiça, publicidade e honradez. A política deve ser fortalecida por valores. Para isso, se exige uma séria preocupação com a educação. Se há outro meio, por favor, digam! Educação que integre a todos. A política não pode ser para a sociedade um mal necessário, mas um bem civilizatório. Com as demonstrações de revoltas que estamos a perceber nos últimos tempos, a narrativa tem que ser de mudança na forma de pensar e agir. Reabilitemos a política ao que é lhe essencial, a partir do povo. Ele é o sujeito e o fim da ação política. Ele tem o poder e a responsabilidade de educar para administrá-la e reorientá-la para promover o bem comum. Por isso, há a importante missão de todos nós de administrar a forma de fazer política e ser políticos.

Assim o seja!

Jun 30

Uma boa oportunidade de reflexão e futura ação sobre políticos e eleitores corruptos

Quando se fala em política na atualidade as pessoas sentem-se enojadas. Mas se a gente for analisar não é para ser diferente, eleitores partidários, cabos eleitorais e políticos que até ontem eram adversários ferrenhos, hoje estão de abraços calorosos e trocando amor em público. A corrupção sempre aconteceu no país, mas nunca em tamanhas proporções desviados, como também a quantidades de políticos e empresários envolvidos e publicamente divulgados tudo isso fica na mente do cidadão.

Por outro lado, os que se dizem bons administradores na maioria das vezes ocultam placas de divulgação do valor e da data de término da obra, não concluem as obras em tempo hábil, desviam verbas sem que os órgãos de fiscalização percebam, empregam centenas de pessoas em troca de favores políticos, inauguram obras antigas em vésperas de eleições e assim vai.

Muitos políticos chegam ao poder através da compra de votos financiada com dinheiro do próprio eleitor que se vende achando que é a pessoa mais esperta do mundo, mal sabe este eleitor que este dinheiro que hoje recebe do candidato, será o que irá faltar na merenda da escola, no saneamento básico, na falta de médico e dentista nos postos de saúde.  Entre tantas outras áreas carentes de recursos, e nos hospitais, onde este mesmo eleitor um dia poderá precisar ser atendido e será rejeitado na porta, independente da gravidade do caso, ou então se não ele, sua esposa grávida que também será rejeitada e poderá ver seu filho nascer dentro de uma ambulância sucateada e ou em outros municípios perdendo a essência e a naturalidade do lugar de nascimento.

A partir de agora iniciará um período de negociatas espúrias envolvendo o candidato e o eleitor na base dos municípios brasileiros, onde os candidatos a prefeito e vereador, travam uma batalha descarada pelo voto do corrupto eleitor, que muitas vezes trata-se de um ingênuo cidadão de bem, que ainda acha que o fato de vender o voto não é crime e sim um beneficio ofertado pelo candidato. Mas também, dos eleitores espertalhões que fecham seus votos familiares em troca de materiais de construção, terrenos, casas, empregos e tantos outros pedidos.

comitê eleitoral corrupção

Se a gente for analisar o desgosto de poucos eleitores, os mesmos estão com razão em ver tudo isso e não poder fazer nada. E pelo outro lado os políticos infelizmente são justificados por ser o próprio eleitor quem faz do político um adepto a corrupção, tendo em vista que só se compra alguma coisa se alguém tiver pra vender e o eleitor que se vende, demonstra que não tem responsabilidade nenhuma com sua cidade e muito menos pelas pessoas que vivem nela, causando uma levada de prefeitos que só pensam em si e outra levada de vereadores que não tem capacidade de legislar, tendo um emprego na Câmara de vereadores e se postulando com status de vereador.

Certa vez vi em uma cidade que os eleitores que se vendem deveriam andar com etiquetas de preços pregadas nas costas, pois já se transformaram em mercadorias ambulantes, que são colocadas a venda de tempos em tempos, pessoas sem dignidade que se dizem honestas, mas que não resistem à esmola do político, isso também serviria também para os políticos.

Temos que lembrar também que tem muitos eleitores excelentes e muitos bons políticos que fazem seu papel e exercem de fato a cidadania de maneira coesa. Muitas vezes não conhecemos as pessoas e assim a julgamos, isso é um grande defeito nosso de ser humano, podemos sim comentar algo quando de fato for para o engrandecimento da sociedade, então vamos pensar e analisar quem de fato são as pessoas que estão ao nosso lado, seus compromissos, responsabilidades sociais, sua capacidade administrativa, de um bom ser humano e pessoa de respeitabilidade familiar.

No mundo em que vivemos devemos servir sempre, não machucar ou ser machucado por ninguém, apenas servir, alertar, ajudar e sempre deixar boas reflexões para o engrandecimento da pessoa humana, pois muitas vezes aqueles que estão nas esquinas falando dos corruptos e da corrupção são os que mais se beneficiam.

Jun 14

Das Vantagens de Ser Bobo

Pensar é ótimo e agir também, mas muitas vezes não conseguimos unir as formas para chegar a uma tranquilidade de vida pelas grandes dificuldades encontradas. Ao ler o texto de Clarice Lispector, sentir-me agraciado e contemplado por ter sido bobo em vários momentos, aonde muitos acharam que eu estava querendo ser o sabido, mas no fundo, no fundo do meu ser , sabia que estava sendo o bobo e segue de exemplo para todos nós, que ser bobo em nossas ações e levar prejuízos nem sempre é ruim.

Das Vantagens de Ser Bobo

O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: “Estou fazendo. Estou pensando.”

Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.

O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.

Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.

Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: “Até tu, Brutus?”

Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!

Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.

O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.

Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!

Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.

Clarice Lispector

Jun 14

POR QUE PRECISAMOS ESTUDAR?

À minha consciência me vem a resposta imediata: Porque quem estuda é livre. O conhecimento nos liberta das prisões da ignorância e do obscurantismo existencial. Quem ama o estudo ganha liberdade e é promotor de liberdade. É próprio da tirania preservar a ignorância do Povo. Me permitam deixar um conselho pastoral: Estudem! Estudem! Estudem! Não há idade para que tenhamos e busquemos o conhecimento. Um que nos integre como pessoa e na vida em comunidade. Uma educação e formação integral e integrante. Um conhecimento para a vida. Eis uma luz que nos acompanha e nos capacita para discernirmos a verdade da mentira, o bem do mal, a luz das trevas, a liberdade das escravidões…

Que Jesus Cristo, O Libertador, anime e fortaleça a todos!

Por Padre Matias Soares, pároco de São José do Mipibú

Jun 07

Governo lança 2a edição do Projeto de Inovação Pedagógica

Mais um lançamento para o pedagógico da educação do RN

Mais um lançamento para o pedagógico da educação do RN

O auditório Master da Escola de Governo, no Centro Administrativo, recebe nesta quarta-feira (08), às 10h, a 2ª edição do PIP – Projeto de Inovação Pedagógica que vai contemplar 128 Escolas Estaduais. O PIP visa minimizar os problemas de aprendizagem enfrentados pelas escolas, possibilitando a melhoria e fortalecimento da participação dos professores e alunos. Outro ponto é a redução da evasão escolar por meio de projetos que viabilizem a resolução de problemas e melhoria do aprendizado através de metodologias inovadoras.

O Governo do Estado do RN repassará R$ 4.749.000,00 (quatro milhões setecentos e quarenta e nove mil reais), aos Caixas Escolares das escolas contempladas. Os recursos são da Secretaria Estadual de Educação (SEEC), através do Projeto RN Sustentável, por meio do acordo de empréstimo com o Banco Mundial.

Jun 01

Ministério Público aponta fraudes de R$ 2,5 bilhões no Bolsa Família

Um levantamento feito pelo Ministério Público Federal apontou suspeitas de fraudes no pagamento do programa Bolsa Família que podem chegar a R$ 2,5 bilhões e atingir 1,4 milhão de beneficiários.

Fraude Bolsa família

Entre as possíveis irregularidades encontradas pelo órgão há saques realizados por pessoas que já morreram, indivíduos sem CPF ou com CPFs múltiplos, além de pessoas que estariam recebendo o benefício sem ter direito, como servidores públicos e doadores de campanhas políticas.

Os dados foram levantados a partir do cruzamento de informações do cadastro de beneficiários com dados da Receita Federal, TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e Tribunais de Contas.

Essas irregularidades foram identificadas em pagamentos feitos entre 2013 e 2014. O Ministério Público deu prazo de 30 dias para que o Ministério de Desenvolvimento Social e Agrário informe quais providências serão tomadas diante de inconsistências identificadas.

O levantamento fez parte de um projeto lançado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em junho do ano passado, e tem como objetivo de combater as fraudes do programa.

Em nota, o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário afirmou que “não ignora a possibilidade de irregularidades ocorridas na gestão anterior”, isto é, da presidente afastada Dilma Rousseff.

O texto também diz que a “pasta está empenhada em aperfeiçoar o controle e os mecanismos de fiscalização dos beneficiários do Bolsa Família” e que integrantes do ministério entraram em contato com o Ministério Público Federal para tratar do assunto e criar um comitê de controle “para depurar e garantir que o Bolsa Família seja destinado para quem mais precisa”.

Fonte: UOL

Mai 31

SÃO JOSÉ DE MIPIBU – IGREJA CATÓLICA ENTREGA CENTRO ADMINISTRATIVO AOS PAROQUIANOS

A Igreja Católica de São José de Mipibu entregou aos paroquianos o Centro Pastoral Administrativo Paroquial Dom Manoel Tavares.Uma homenagem justíssima a um mipibuense que deixou grande legado religioso às gerações católicas e ao povo de Deus.

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Presença ilustre de grandes autoridades católicas do nosso estado, nas pessoas de Dom Jaime, Arcebispo Metropolitano e Dom Matias Patrício.Muitos fiéis católicos se fizeram presentes a este significativo momento.

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Deixo os parabéns à Família Católica de São José de Mipibu, em especial, aos padres Matias Soares, Rogério e José Lenilson, padres honrados e comprometidos com o povo mipibuense e com a nossa amada Igreja Católica.

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Mai 31

Educação cidadã e a necessidade de promover um pleito transparente

Juiz estadual Jarbas Bezerra irá explicar sobre a necessidade de promover um pleito transparente através da educação cidadã.

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A educação cidadã em prol da promoção de um pleito transparente, esse será um dos temas abordados na Semana da Eleição Legal, promovido pelo portal Nominuto.com. Para explicar o assunto, o jornalista Diógenes Dantas entrevistou o juiz estadual Jarbas Bezerra, mestre em Direito e Cidadania pela Universidade do País Vasco (Espanha).

O magistrado, que também foi juiz do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) entre 2004 e 2006, irá falar como a cidadania pode ser empregada no campo eleitoral. Além disso, vai comentar sobre a necessidade da educação no processo de formação cidadã, entre outros assuntos.

O jurista, que atualmente é responsável pela 11ª Vara Criminal de Natal, também vai comentar como ações rotineiras podem se transformar em atos de corrupção, além de analisar o atual quadro político e social do país.

Com juristas e especialistas em legislação eleitoral, a Semana da Eleição Legal acontece do dia 20 a 24 de junho e é uma iniciativa pioneira do Nominuto.com. O conteúdo é gratuito e será disponibilizado na plataforma online através do site do evento. Para ter acesso ao material, basta cadastra-se no site.

Mai 21

Os Direitos Humanos em uma sociedade em guerra civil não declarada

Ao amanhecer o dia e olhar os grupos de notícias, jornais e demais meios de comunicação vigente, o que mais estamos presenciando são os crimes contra a vida. Muitas vidas sendo tiradas de formas brutais seja um inocente ou um bandido. A vida para os criminosos é coisa banal e simples, causando um desconforto e uma irritação nas pessoas que vivem de maneira correta na sociedade contemporânea. Discussão assídua em todos os meios acadêmicos e na sociedade: qual a verdadeira função dos Direitos Humanos? Para que serve os direitos humanos? Os direitos humanos só serve para bandido? E assim vai. O que seria de fato os direitos humanos? Gostaria de conversar um pouco com você leitor, para refletirmos sobre o verdadeiro significado dos Direitos Humanos acredito eu, mesmo sabendo ser um assunto polêmico e cheio de controvérsias, mas aqui veremos desta vez ao menos o básico.

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No ano de 1988, ano da promulgação de nossa Constituição Federal, ao falar sobre Direitos Humanos e educação libertadora, o ilustre educador Paulo Freire (2001), em sua capacidade de nos afetar, disse:

Não precisamos nem sequer tentar definir o que entendemos por Direitos Humanos, mas no momento mesmo que pensamos em Educação e Direitos Humanos, direitos básicos, o direito de comer, o direito de vestir, o direito de sonhar, o direito de ter um travesseiro e à noite colocar a cabeça nele, pois este é um dos direitos centrais do chamado “bicho gente”, é o direito de repousar, pensar, se perguntar, caminhar; o direito à solidão, o direito da comunhão, o direito de estar “com”, o direito de estar “contra”; o direito de brigar, falar, ler, escrever; o direito de sonhar, o direito de amar.

Eis, pois, uma das afirmações que hoje encontramos na maioria dos tratados, das convenções e declarações mundiais, em essência: o Direito à Vida Digna e Plena, onde temos o direito ao máximo gozo de todos os outros direitos.

Tendo, portanto, esta compreensão e a partir da Declaração dos Direitos Humanos de Viena, de 1993, devemos confirmar a concepção introduzida pela Declaração de 1948, quando em seu parágrafo 5º, afirma: Todos os direitos humanos são universais, interdependentes e inter-relacionados. A comunidade internacional deve tratar os direitos humanos globalmente de forma justa e equitativa, em pé de igualdade e com a mesma ênfase. Portanto foi confirmada a universalidade e indivisibilidade dos Direitos Humanos.

Em 2006, ao ser promulgada pela Organização da Nações Unidas (ONU), a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, vem consolidar a nova visão e paradigma das deficiências como uma questão de Direitos Humanos. No seu artigo 10, sobre o Direito à Vida, nos diz: Os Estados Partes reafirmam que todo ser humano tem o inerente direito à vida e deverão tomar todas as medidas necessárias para assegurar o efetivo desfrute desse direito pelas pessoas com deficiência, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas.

Como foi dito, os Direitos Humanos encontram-se em processo de construção permanente, já que vivemos em um mundo econômica e politicamente globalizado, que exige seu aprimoramento e efetivação. Como nos lembra Flávia Piovesan (2002): Não obstante a historicidade dos direitos humanos, traduzirem a todo tempo uma utopia, uma plataforma emancipatória em reação e repúdio às formas de opressão, exclusão, desigualdade e injustiças, os direitos humanos combinam sempre o exercício da capacidade de indignação com o direito à esperança, a partir de uma gramática da inclusão.

Esta é afirmação da Vida, que exige o risco, a transitoriedade, o sonho e a determinação de mudança. O Direito à Vida é um princípio ou fundamento ético político de todas nossas ações. Deste princípio, como gênese social e origem de um desejo das populações mundiais sob a ótica da exclusão e das desigualdades sociais, como a questão da pobreza e da miséria, é que todas as convenções e tratados têm procurado afirmar a necessidade de um novo olhar para as pessoas em situação de marginalização ou de minoria, o que ocorre com 400 milhões dos 600 milhões de pessoas com deficiência no mundo.

Por que então é fundamental associarmos o direito de dignidade ao direito de vida? Como resposta bastaria dizer, de forma simples, que sem esta dignificação do ser humano todas as afirmações anteriores ficam sem sentido. Sem a presença, para além do físico e do biológico, de seres humanos, não há porque declarar a defesa de seus direitos humanos.

O Direito à Vida exige a segurança social, a habitação, condições de alimentação e sobrevivência com dignidade, condições, em um mundo de exploração hipercapitalista, necessariamente ligadas aos direitos econômicos, o que nos alerta permanentemente para uma defesa intransigente e aguerrida de que a Vida tem de ser protegida e, é dever de todos os Estados a sua promoção e qualificação. Nesse sentido é que nas convenções e tratados deveríamos trocar o tempo dos verbos quando se fala de “adotarão medidas”, para uma assertiva de que os Estados “devem tomar medidas de proteção de seus cidadãos e cidadãs”.

Há que ter dignidade para que possamos afirmar a vida. A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência confirma o papel dos Estados Partes, dizendo que: “reconhecem o igual direito de todas as pessoas com deficiência de viver na comunidade como as demais e deverão tomar medidas efetivas e apropriadas para facilitar às pessoas com deficiência o pleno desfrute deste direito e sua plena inclusão e participação na comunidade”.

Deste ponto de vista é que a pessoa com deficiência(s), e demais pessoas em situação de “vidas diferenciadas e segregadas” (por situação de gênero, etnia, religião, idioma, cultura, etc.), precisam de equiparação de oportunidades para escolher o lugar onde vivem ou querem viver, a casa que podem ter, com o mínimo de acessibilidade e conforto, em igualdade de condições com os demais cidadãos e cidadãs. Há que respeitar as diferentes formas de ser e estar no mundo. Há que considerar as necessidades diferenciadas e a diversidade humana, no caminho de um desenho universal das edificações, ruas, estradas ou veredas por onde todos os seres humanos têm o direito de ir e vir, o direito de passear, o direito de compartilhar, o direito de se manifestar, o direito de namorar, o direito de respirar novos ares, o direito e o dever de preservar os seus meios ambientes, enfim os seu direito de VIVER com o máximo de dignidade que possam usufruir. Talvez, somente assim podemos dizer que a vida tem mais possibilidades do que limitações ou restrições, e, consequentemente, muito mais possibilidades, que devem, urgentemente, serem equiparadas para todas as pessoas com deficiência.

O Direito à Vida, quando afirmado como um direito inalienável de cada sujeito ou indivíduo, leva também à questão da aceitação e ao reconhecimento do direito à busca da igualdade quando a diferença nos torna inferiores, assim como o direito de afirmar nossas diferenças quando a igualdade, em especial a homogeinizadora e determinada politicamente, nos infringir uma perda de originalidade e singularidade. Os direitos humanos vão muito além de pensarmos que serve para a defesa de bandidos, conforme já vimos vai muito, muito, muito mais além de excelentes resultados para a sociedade, pena que muitas coisas encontram-se apenas no papel.

Como nos orientou o poeta Fernando Pessoa (1896): Tenho uma espécie de dever de sonhar, pois, não sendo mais, nem querendo ser mais, que um espectador de mim mesmo, tenho que ter o melhor espetáculo que posso…. Temos, juntos, o dever de continuar confirmando o direito ao sonho de uma vida melhor e com dignidade, para mim, para você, para seu vizinho, para seu companheiro ou companheira de viagem pela estrada aberta e surpreendente chamada VIDA.

 

Mai 11

Responsabilidade democrática

No Brasil, há uma narrativa quantitativa sobre a Democracia. Nestes últimos tempos, estamos a ver todos falando em nome e na defesa das conquistas populares ocorridas depois da Ditadura. Os conceitos e manifestações são polarizados. Os interesses particulares, partidários, ideológicos, grupais e empresariais orientam as prerrogativas, que não postas como verdades messiânicas. Em nome desta velha senhora, que foi prostituída, e que continua sendo maltratada em nosso cenário político nacional, todos defendem seus interesses políticos, econômicos, que passaram a ser também afetivos. Existe quem defenda seus partidos dogmaticamente. Por falta de racionalidade política, estamos a acompanhar os fortes embates midiáticos; e ofensivas na conjuntura política do País. Na votação da Câmara dos Deputados, que tinha por objetivo a aceitação da abertura do processo de Impedimento da presidente, vimos um verdadeiro espetáculo circense na forma de tratar uma questão tão relevante para a vida de todo o povo brasileiro. Contudo, não foi percebido uma auto-crítica profunda sobre a responsabilidade popular no ocorrido, já que aqueles senhores/as foram eleitos pelos cidadãos para representá-los. Para haver Democracia consistente, temos que ter um povo mais comprometido pelo destino político de todos os entes da federação. Brincar com a Democracia é um risco tremendo. A classe política do nosso País, respaldada pelo voto obrigatório e inconsequente de muitos brasileiros está zombando do regime democrático. Há um retrocesso, que tem na judicialização da política um meio termo dos regimes ditatoriais. A intervenção constante do Judiciário é um sintoma de que o nosso sistema está enfermo, e tem na infiltração sistêmica da corrupção o seu maior vírus. Ou esse é combatido ou vai adoecer ainda mais os destinos da República. Há quem vá para as ruas e meios de comunicação social defender corruptos, justificando de todos os lados, suas atrocidades. Os políticos corruptos são eleitos por um povo corrompido. A nossa fisionomia histórica, geográfica, e étnica favorece a esta mentalidade da conservação da corrupção.

O Papa Francisco, acompanhando e respeitando a soberania do País, além de rezar e animar, pediu que houvesse diálogo. Para a Doutrina Social da Igreja, quando falamos em diálogo, estamos a clamar por mais responsabilidade. Na nossa situação de crise, o Papa sutilmente nos envia o seguinte recado: Sejam responsáveis e comprometidos pelo bem comum do vosso País! Cuidem, integrem e promovam o que é importante para o vosso desenvolvimento. O Brasil não está precisando de lutas e violência. Isto já tem demais. A ideologia do ódio foi disseminada e encontrou lugar na política viciada que sempre imperou em nossa história de desigualdades e dominações. Como é desonesto culpar os pobres para justificar desvios administrativos. Mentira! A História, mais uma vez, nos mostra que o que está em jogo é a perpetuação no poder. Economistas afirmam que a desigualdade no País aumentou, mesmo que tenha havido maior distribuição de renda. O verdadeiro e autêntico desenvolvimento acontece quando há a promoção da pessoa em todos os âmbitos da sua existência. A política do pão e circo, já no Império Romano e, trazendo mais para perto, no coronelismo e posturas dominantes afins do nosso Nordeste, sempre foi usada para a ampliação dos projetos de poder. Temos que ter esperança no nosso País! Oxalá, quando houver a implantação de um projeto sério de educação de todas as camadas da população. Só a educação poderá nos libertar para avançarmos rumo ao futuro. Não há outro caminho. Não será a formatação ideológica, como a que existe em muitos ambientes acadêmicos, catequizando e doutrinando as futuras gerações, sem preocupação com a verdade, que tornará madura a nossa Democracia. Este paradigma é intolerante e alienante. Tudo está posto. É o que vemos. Precisamos aperfeiçoar os valores que favoreçam o avanço da Democracia.

Por fim, a construção de um discurso de combate à corrupção não pode ser provisório e fragmentado. Ele tem que continuar. Ele precisa ecoar nas mentes e corações que acreditam e lutam pelo nosso País. É uma questão de esperança. Não é utopia. Esta última não tem lugar. Trabalhemos por justiça, dignidade, justiça social, liberdade, respeito, tolerância, verdade e vida plena para todos. Assim o seja!

Pe. Matias Soares
Pároco de São José de Mipibu-RN

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